SAGA
O bruxo apaixonou-se por Capitu e desceu o Cosme Velho carregando o epípeto nos braços. “A um bruxo, com amor”, escreveu Carlos Drummond de Andrade. Adoro o Carlos, mas dele falo outra hora. Agora, deixo Machado cortar-me o lado. Machado na casa 18. Machado ao lado comendo biscoito. O maior nome da literatura brasileira é Machado de Assis. Poeta, romancista, cronista, dramaturgo, contista, folhetista, jornalista, crítico literário. Um homem chamado Machado. Um homem com a alma de Francisco de Assis. Saído do morro do Juramento, o pai da Academia Brasileira de Letras, não fez faculdade e foi pouco a escola. O homem dos duzentos contos, dos nove romances e peças teatrais, das mais de seiscentas crônicas, das cinco coletânias de poemas e sonetos, é um homem preto. O introdutor do Realismo no Brasil é um homem de cor. Um homem negro, sim senhor.
Carolina Augusta, foi aquela Carola que conquistou a sua alma. Machado não se fez de rogado, e como todo bem amado, enterrou ali o seu coração. Carola apresentou-lhe o mundo, falou-lhe dos clássicos portugueses, dos escritores ingleses, de amor e de perdão. Com Carolina, Machado viveu trinta e cinco anos de felicidade extrema. Com a morte de sua amada, aos setenta anos de idade, o Bruxo do Cosme Velho murchou. Tornou-se um homem preso às parcas “Memórias Póstumas de Brás Cubas”. Ao perder a melhor parte de sua vida, sozinho no mundo, o bruxo entregou-se aos braços da morte. Morto vítima de uma úlcera canceriosa na boca, embora digam que foi de arteriosclerose generalizada, não importa, aos sessenta e nove anos de vida, morreu o homem, ficou o nome. A alma de Machado é a alma do mundo. E Capitu sabia disso. Por isso:
O bruxo apaixonou-se por Capitu e desceu o Cosme Velho carregando o epípeto nos braços. Há braços. Abraços.
- Boa noite, Machado.
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Cara, adoro Machado de Assis. Muito legal essa sua ideia de homenageá-lo. Não conhecia o seu trabalho, mas que grata alegria vir ao seu blog. Os seus textos são ótimos. Virei fã de carteirinha! Abraços, Roberto Seixas.
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