MINHA AMADA IMORTAL
Ela comeu o pão que o diabo amassou. E ainda passou banha ao invés de manteiga. Ficara presa tanto tempo no quarto de despejo, que era um emaranhado de teia de aranha, perdido no pó e na poeira. Amara o seu homem, mas o seu homem não lhe amara. Desiludida, tornara-se um rio de lágrimas numa poça de sangue. Era triste, miserável, estéril, vazia, ôca e seca, como uma folha caída de uma árvore. Ou melhor, era seca e ôca, como um cano velho. Ontem seu coração parou de bater. Fiquei observando até que parasse de respirar. Não sei o que me deu. Não esbocei qualquer gesto. Não falei nada. Calei a palavra. Seja lá o que tenha me ocorrido, só tenho uma coisa a dizer: Eu nunca fui tão feliz por estar triste.
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Betto, fico boquiaberto com o seu talento. Você escreve muito bem, brother. O texto é tão bem escrito, que é impossível não se emocionar. Parabéns! Abraços!
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