DEPRESSA A VIDA PASSA
Hoje entendi porque Clarice Lispector é minha melhor amiga. Hoje entendi porque Clarice insiste em me visitar. Ela é meu livro de cabeceira. É quem me aconselha. É para quem corro nos dias tristes. E nos felizes também. Clarice está dentro de mim. É tão leve assim: como uma pluma. Às vezes me desce pesada. Às vezes me causa indigestão. Clarice me faz pensar. Afugenta a inércia para longe de mim, e diz: “Escreve, Carlos. Escreve”. Pego papel e lápis e obedeço. Eu ligo o computador e faço a alma rodar. Hoje ela me acordou no meio da noite, dizendo-me coisas impublicáveis. Queria que eu pintasse um conto. Mandou-me desenhar uma poesia. Pichou-me o espírito com spray de tinta. Fez um grafite no meu coração. Deu-me duas ou três crônicas, depois sumiu na sombra do cobertor. Eu me fiz de rogado e mais uma vez corei e obedeci. Fico tímido na presença de Clarice. Ao lado dela não sou mais que um menino. Deve ser por isso que sempre me apaixono por mulheres mais velhas. Apesar de que, na minha idade, se continuar me apaixonando por mulheres mais velhas, vou acabar me casando com uma anciã.
Ainda a pouco Clarice morreu. Sim, ainda a pouco Clarice me deixou. Entretanto deixou em mim mais que sua ausência. Deixou em mim o melhor do melhor de si mesma. Eu amo minha amiga: confesso. Sem ela acho que não seria a metade do nada que sou. Ela me deu um rumo na vida. Ensinou-me que se não sei escrever: posso aprender. Ensinou-me que se não sei ser feliz: posso tentar. E eu tento. Venho tentando à milênios. Esta alma que vos fala é mais velha que o planeta Terra. Sou um espírito da terceira idade. Seja lá o que isso for: eu sou isso. Seja lá o que a vida signifique: eu sou vida. Obrigado Clarice, querida. Obrigado por ser minha amiga.
Ainda a pouco Clarice morreu. Sim, ainda a pouco Clarice me deixou. Entretanto deixou em mim mais que sua ausência. Deixou em mim o melhor do melhor de si mesma. Eu amo minha amiga: confesso. Sem ela acho que não seria a metade do nada que sou. Ela me deu um rumo na vida. Ensinou-me que se não sei escrever: posso aprender. Ensinou-me que se não sei ser feliz: posso tentar. E eu tento. Venho tentando à milênios. Esta alma que vos fala é mais velha que o planeta Terra. Sou um espírito da terceira idade. Seja lá o que isso for: eu sou isso. Seja lá o que a vida signifique: eu sou vida. Obrigado Clarice, querida. Obrigado por ser minha amiga.
CONTACT CARLOS ALBERTO PEREIRA DOS SANTOS:
DEPRESSA A VIDA PASSA™ ©
copyright by Carlos Alberto Pereira dos Santos 2011
TODOS OS DIREITOS AUTORAIS RESERVADOS BY CARLOS ALBERTO PEREIRA DOS SANTOS
TODOS OS DIREITOS AUTORAIS RESERVADOS BY CARLOS ALBERTO PEREIRA DOS SANTOS


Você é muito elegante, Betto. Os seus textos são de uma qualidade inenarrável. Parabéns! Você é um Mestre da palavra. Adorei!
ResponderExcluirEstava zapeando por aí e eis que encontro essa preciosidade. Este blog é uma das melhores coisas que já vi na vida! Cara, você é um Mago. Escreve tão bem e com tanta convicção no que diz, que os seus textos são verdadeiras Obras de Arte. Parabéns, Betto Barquinn. Você é gênio, fera. Vida longa ao Rei!
ResponderExcluirTêm pessoas que nos fazem bem, pelo simples fato de existirem. E você é uma delas. Escreve tão bem, com tanta serenidade, que faz do árduo ofício de escritor, um prazer. Seus textos são claros como água. São para aqueles que tem olhos para ver o ouvidos para ouvir. Sempre leio os seus textos em voz alta. Sempre fico encantado com o seu amor. Amei este também, meu rei. Meus parabéns!
ResponderExcluir