BOA NOITE, SARAMAGO!






Eu guardei meu espírito dentro de um livro. E minh’alma, saciada, tornou-se sábia. Sempre tive urgência em aprender. Nasci querendo devorar o mundo das letras. Sinto fome de viver até mesmo quando não estou com fome. Por isso escrevo diariamente. Escrevo para conhecer gente. Escrevo para saber quem eu sou. Pois a literatura me possibilita voar. Viajar sem sair do lugar. Através do livro, posso ser rico, mesmo sendo mendigo. Posso passear por Paris nas páginas de um livro feito de lousa e giz. Posso conhecer a Torre Eiffel na folha de papel. Posso ser rei. Posso ser mago. Posso ser nobre. Posso ser Saramago.

Uma pessoa que não lê é incapaz de entender a própria história. A mesma coisa acontece com um país que não entende que a literatura liberta a alma de sua gente: Uma nação que não cultiva o hábito pela leitura, torna seu povo ignorante. Pois tudo que faz o Homem pensar é importante. E a literatura faz isso pelo Homem: faz-nos distinguir entre o sábio e o burro falante. A literatura faz o Homem perceber que é um ser pensante. A literatura dá a dimensão exata da nossa condição no mundo. Quem somos, de onde viemos, para onde vamos. Aprender a pensar, ensinou-me a raciocinar. A literatura me deu muitas coisas, sabe. Libertou-me do mal de mim mesmo. Fez-me ser um ser vibrante. Tornou minh’alma mais valiosa que um diamante. Abriu-me portas, que sem o discernimento, e o alumbramento da palavra, jamais poderia atravessar. A literatura fez de mim um Homem.





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