BIKO
Aquele que disse que “o gesto de violência de um adulto não merece o sorriso de uma criança”, me ligou hoje. Aquele que disse que “um dia nós estaremos em condições de dar à África do Sul o maior dos presentes – uma face mais humana”, me ligou hoje. Aquele que disse que “o racismo não implica apenas a exclusão de uma raça por outra – ele pressupõe que a exclusão se faz para fins de dominação”, me ligou hoje. Aquele que disse “racismo e capitalismo são faces da mesma moeda”, me ligou hoje. O telefone tocou, e do outra lado da linha, Steve Biko falou: “A arma mais poderosa nas mãos do opressor é a mente do oprimido”. Falou, depois desligou. Era setembro de 1977. Lembro-me bem disso. Era um traumatismo craniado acorrentado às grades de uma prisão. Era 11 de setembro quando Steve Bantu Biko morreu. Um dia triste como ver Nova York morrer. Ele fora como as torres gêmeas do World Trade Center: retorcido do outro lado de cá para o outro lado de lá. Trinta e um anos Biko viveu. Lutou por aquilo que acreditava. Morreu em nome da liberdade. Morreu nas mãos do Apartheid. Morreu na África do Sul. Mas Biko ainda vive. Biko vive, sim. Biko vive aqui: dentro de mim.
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