ESQUADROS


Não condeno ninguém ao reducionismo. Não me aprisiono na masmorra dos nano clichês. Na vida experimentei buracos negros, abismos, labirintos, poços sem fundo, desertos e supernovas. Aprendi que interrogações serão sempre interrogações. E respostas: o peso da minha medida. Detesto barganha. Quando me jogo: Jogo-me de cabeça. Da vida não quero descontos, promoções, liquidações, saldos, pontas de estoque, subornos, propinas. Viver de esmola, a mim não me gosta. Prefiro a quantização. Não sou um pedinte da vida. Embora mendigue amor e afeto o tempo todo: Sou carente e não nego. Sou carente, sim. Sou carente de mim. Não estou falando do outro. Não falo aqui na minha relação com o mundo. Falo da minha fragilidade. Falo do alto da minha solidão. Falo do ventre da minha sofreguidão. Porque na minha vida, o filho chora e a mãe não vê. Falo da minha alegria. Mas não falo do meu sofrimento. Falo do meu desprendimento. Falo do meu espírito que recusa-se a ser moralmente elástico. Meu coração confessou-me, que de tanto deixar-se esticar, ficou flácido. Falo de esmolas morais: daquilo que o sujeito sente, mas ninguém vê. Dialogo sobre nós em mim. E falo de mim quando falo de ti. Falo de mim, sim. Falo de mim, não. Falo do não e do sim, do bem e do mal que há em mim, do carvão e do sal. Falo de tudo que o amor me deu. Bom ou ruim: Nem tudo é o que parece ser. 

Esta noite conversei com a solidão até às três da manhã. E que ironia... Ela nem sabia o meu nome.




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