ENTER SANDMAN
Eu cresci numa casa onde as pessoas mentiam o tempo todo. E brigavam nas horas vagas. Na pessoa que sou hoje, mora um rio de lágrimas em mim. Mas a dor ensinou-me a perdoar-me pelo preço que paguei sendo quem sou. E eu, que nunca fui mentiroso, aprendi a fingir. Não é fácil viver com gente ruim. Ainda mais quando só se tem isso: a maldade em pessoa. Aprendi a viver sem sentimentos. Sentir seria um luxo, que eu não podia pagar. Não sei qual é a minha identidade espiritual. Mas algo dentro de mim, me diz que é possível viver sem sofrer. Sou um homem camuflado no silêncio e na solidão da noite. Sou uma alma quebrada no açoite. Minha dissertação implora, toda vez que me deflora. Meu espírito sente fome, toda vez que me consome. Meu coração chora, toda vez que me devora. Meu rosto enruga-se, toda vez que me vê. Eu sou um homem despedaçado em ruínas.
A gente passa a vida sofrendo na mão dos outros. Um belo dia as pessoas que nos quiseram matar; morrem. Um dia, que não é tão belo assim: morre, enfim. Aqueles que nos fizeram mal, partem, e levam um pouco de nós junto com eles. Aí a gente sofre, ajoelha e reza, queima pavios, acende velas, debulha rosários e lágrimas: em um altar de gente. A gente. Agente. Há gente: há. Há uma pessoa, sim: dentro de mim. Alguém que perdoa e chora. Alguém que ama e ora. Alguém em busca de um lar.
Eu sou cheio de paradoxos e paradigmas. Sou o zelador do hospício. Nesse momento, meu coração não bate; apanha. Estou vivendo o paradoxismo da minha dor: O amor.
A vida enfim, soltou uma bomba branca, simbolizando paz.
ENTER SANDMAN ™ © copyright by betto barquinn 2011
TODOS OS DIREITOS AUTORAIS RESERVADOS BY BETTO BARQUINN
TODOS OS DIREITOS AUTORAIS RESERVADOS BY BETTO BARQUINN


Comentários
Postar um comentário