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I love the apple of my eye:

Ela era tão frágil, que a impressão que dava era que se tocasse nela, iria quebrar. Tinha a delicadeza de uma flor às sete horas da manhã: numa manhã de inverno. A flor da manhã tem uma fragilidade inimaginável. Havia nela algo que não se sabe o nome. Mas era só alegria, apesar da tristeza que empapava-lhe os olhos. Quanto a mim, amava-a. Amava-a tanto que o espírito que sou hoje, com todos os meus defeitos e qualidades, não seria o mesmo se não a tivesse tocado. Sim, toquei-a. Toquei-a, mesmo sabendo que corria o risco de vê-la partir ao meio. Toquei-a como quem toca um cristal. Toquei-a como se fosse uma boneca de porcelana. Toquei-a com a ponta dos dedos. Toquei-a com a palma da mão. E não parei por aí… toquei-a com meus lábios e com meu sexo. Toquei-a com minh’alma. Toquei-a com meu corpo inteiro. Toquei-a por horas. Toquei-a por dias. Toquei-a anos a fio. Toquei-a tanto, que quando me dei conta, já estávamos duplicados. Daí vieram os filhos, que tornaram-se um jardim em flor. Todos muito frágeis. Frágeis demais. Havia neles a mãe com sua fragilidade de olhos empapados. Lá estava aquela tristeza profunda que a resumia sem a encurtar. Eu também estava ali, dentro deles, com a minha velha alegria perdida. Ela era assim: capaz de dar-me filhos tão quebradiços quanto ela. E eu amava-a como amam os príncipes as suas princesas. Amava-a como as crianças amam os contos de fadas. Amava-a como o vento ama tudo que encontra pela frente: derrubando árvores, trazendo tsunamis. Amava-a como o rio corta a terra: inundando-a de si. Amava-a, sim. E ainda amo-a perdidamente. Minha rosa. Minha flor. Minha estrada. Meu amor.

 

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