AMAR Y VIVIR


There are things in life that only God explains:

Quando o Cristo disse “amai os vossos inimigos”, Ele não falou que somos obrigados a gostar de quem não gosta da gente. É mais profundo que isso. Perdoar alguém que nos fez o mal é a chance de nos livrarmos do pior de nós mesmos. Afinal, “quem não tem pecado que atire a primeira pedra”. Toda vez que perdoamos somos perdoados. Porque enxergamos algo em nós que é bom. Perdoar é entender que ficar remoendo agruras, decepções, ofensas, xingamentos, violência verbal e física, é pura perda de tempo. O Cristo não falou que devemos amar os nossos desafetos da mesma forma que amamos os nossos amigos. Ele só pediu que não os odiássemos. Ou seja, ninguém confiaria a própria vida às mãos de um inimigo. Mas nada nos impede que salvemos a dele. Dar uma segunda chance ao outro é o mesmo que dar uma segunda chance a nós mesmos. Ainda mais em uma sociedade violenta como a nossa. Aqui o certo torna-se errado, quem tem razão perde a razão, e quem cala consente. Em uma sociedade em que se mata por motivo banal, onde educação é artigo de luxo e a vida vale muito pouco; quase nada, viver é um exercício de sobrevivência na selva em tempos de guerra. Viver não devia ser sinônimo de sobreviver, mas é. Em qualquer lugar do universo, ainda mais em um planeta de provas e expiações como o nosso, ter inimigos é um péssimo negócio. Pois a inimizade aniquila sonhos, inviabiliza projetos, impede o crescimento pessoal e coletivo. “Amai os vossos inimigos” pode ser entendido como “liberte-se”. Quando amadurecemos, percebemos que o que levamos da vida na Terra é todo o bem que fazemos a nós e ao outro. E é esse bem que deixamos aqui quando partimos para a Erraticidade: a Verdadeira Vida; a que é infinita e eterna; a vida espiritual. Esta mesma que se manifesta em diferentes mundos, que nos diz que o Senhor está conosco onde quer que formos, que une espírito e matéria em prol do crescimento de todos. Porque cada um de nós é antes de tudo um Espírito que foi criado simples e ignorante, e saiu pelo mundo para desbravar a si mesmo. A ordem mundial é crescimento espiritual. E só se melhora em espírito provando das vicissitudes da matéria. Então, de posse da nossa bagagem espiritual, seguimos viagem na direção do melhor de nós mesmos. Uma dessas fases rumo ao auto-encontro é o perdão. Só perdoando o sujeito bate asas e voa. Só perdoando percebemos que precisamos de muito pouco para viver bem e feliz com nós mesmos. Perdoar é levar a vida com leveza. Perdoar é deixar o passado no passado. Perdoar é deixar os mortos enterrarem seus mortos. Perdoar é livrar-se da mágoa e seguir em frente.    

Amar é mais que gostar ou idolatrar. Amar é saber que por pior que alguém seja, de um jeito ou de outro, nós já fomos como ele. O simples fato de percebermos isso prova que hoje somos melhores do que fomos ontem: e que o Céu é o limite! É mais um passo dado, mais uma pedra que tiramos do caminho (e do sapato) e a confirmação que estamos nos aproximando de uma das muitas moradas da Casa de Deus: nosso lugar de descanso e trabalho eternos. Uma vez atravessado os portões da reforma íntima não há mais volta. Pois o Bem (como o Belo e o Verdadeiro) é algo que faz parte da alma humana. A propósito, o perdão é a caridade elevada à máxima potência. Por isso todos os dias após conjugarmos o verbo amar, deveríamos aproveitar o exercício de autoconhecimento e conjugarmos o verbo perdoar. Eu perdoo, tu perdoas, ele perdoa, nós perdoamos, vós perdoais, eles perdoam. Não é fácil, eu sei. Mas é simples. E se é simples, com um pouco de esforço e boa vontade a gente consegue. Até certo ponto da caminhada pode parecer improvável. Todavia a vida nos ensina que nada é impossível. Se fosse, o Cristo não nos tinha aconselhado a amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. Se fosse impossível o Cristo não nos tinha revelado que somos a imagem e semelhança de Deus. 

Há coisa na vida que só Deus explica. Nessa, e em todas as outras, o que nos resta é viver.


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